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domingo, 20 de fevereiro de 2011

Caleb Followill diz que Kings of Leon nunca quis ser banda indie

  • O cantor e guitarrista do Kings of Leon, Caleb Followill, em show da banda no Festival SWU, em Itu (10/10/2010) O cantor e guitarrista do Kings of Leon, Caleb Followill, em show da banda no Festival SWU, em Itu (10/10/2010)
O vocalista do Kings of Leon Caleb Followill odeia os "malditos modernos".

O músico não gosta de bandas da moda e diz que seu grupo sempre tentou alcançar a longevidade em vez da credibilidade indie.

Ele disse à revista Rolling Stone: "eu odeio os malditos modernos. Todo mundo fala sobre indie isso, indie aquilo, mas você quer mesmo ser uma daquelas bandas indies que fazem dois discos e depois desaparecem? Isso é simplesmente triste. Quando assinamos contrato com nosso empresário, todos dissemos que queríamos ter uma carreira digna de um caixa de álbuns. Seremos com prazer a próxima geração de bandas que não vão desaparecer".

O grupo norte-americano teve sucesso em sua terra natal com seu quarto disco, "Only By The Night", para o qual Caleb admitiu que a banda não estava conscientemente tentando fazer grandes hits.

Ele disse: "os três primeiros álbuns não foram nem próximos do que achávamos que seriam. Achei que nosso segundo disco seria aquele que atrairia todo mundo e faria todos pensarem: 'certo, esses caras realmente mais do que simplesmente bigodes'. No quarto trabalho nós não nos importamos, queríamos apenas fazer o disco que bem entendêssemos. Ele é o que é, uma situação boa para todo mundo: se for grande e estourar nos Estados Unidos, então ótimo. Mas, se não estourar, as coisas não podem ficar piores do que já estão".



Caleb Followill

O Kings Of Leon é dessas bandas americanas que só fazem sucesso na Inglaterra, o que pra alguns é sinal de mediocridade, pobreza, falta de colhões, e pra outros é a incontestabilidade do talento e da vanguarda. Afinal, a Inglaterra tem os Sex Pistols e os EUA, a Britney Spears.

A coisa indie, a estética que hoje, como me ensinou um garoto de 15 anos, explode distorcida numa tribo autodenominada não por acaso de “from UK”, tem na Inglaterra o seu reduto, a alternativa do pensamento inglês de se expressar longe da bizarrice capitalista que tanto caracteriza os Estados Unidos – e não tem vergonha em transformar qualquer arroto na voz mais bem paga da indústria do entretenimento –, se protegendo no chavão de que o que é bom é para poucos (tomando como parâmetro dimensões geográficas).

 
 
 
Kings Of Leon vem nesse embalo, assim como seus compatriotas da pop Scissors Sisters, que alegam não fazer sucesso na terra natal por serem “abertamente gays”. Entretanto, o KOL não é gay, muito pelo contrário, são mocinhos do interior, filhos de um pastor evangélico, que cresceram tocando em igrejas, cujos álbuns sempre trazem alguma referência à sua história religiosa e seu som tenta, ou tentava aludir às tradições do homem conservador, de família, “do campo”. Teria a Inglaterra se rendido à América conservadora ou os rapazes do KOL é que não são exatamente o que parecem ser?
Eu confesso que achava a pinta de moçoilos interioranos e antiquados bem sexy, numa declarada banalização do que é conservador. Hoje um homem tradicional desceu ao nível do fetiche e sobrevive sendo um objeto. É quase como o que me leva a ter um tesãozinho pelo Serj Tankian e sua ascendência de homem-bomba, e até pelo grotesco Kid Rock, e até pelo Chorão. Homens-machões, homens-objeto. É como chupar Mahmoud Ahmadinejad pra depois jogá-lo de comida aos poodles.

Mas aparência é só aparência, e, embora o histórico dos rapazes do KOL, eles se mostraram até bem fofinhos. Meio safadinhos, mas fofinhos. Tanto que há quem diga que não passem de uma boy band disfarçada. Não por acaso, todas as faixas dos seus primeiros álbuns foram escritas pelo produtor Angelo Petraglia, e tudo nos meninos, dizem, é muito bem dirigido. Talvez a mudança drástica no visual e no som do último disco, Only by The Night (2008), pra enfim conquistar os EUA, seja um sinal claro disso. O álbum traz um abismo de estilo do primeiro, Youth and Young Manhood (2003), que flertava mais com o “country rock”. Agora estão mais pops, mais urbanos, mais Nova York e Londres ao mesmo tempo. Isto não é ruim, o álbum é ótimo, não me canso de ouvir. Closer, Use Somebody e Sex on Fire são canções fantásticas, mas é como se fossem de outra banda, tão distantes de Red Morning Light e Wasted Time. E os meninos, antes bigodudos, cabeludos, botas de cowboy, agora são lisos, sarados, tchutchucos.




Caleb é o vocalista e um dos guitarristas. Tem uns agudos meio bizarros, mas conquista pela beleza desajeitada e até pelo encanto do seu olhar ingênuo e vesguinho. O cara cata umas minas aí, é fotografado bebendo, canta umas safadezas vez em quando, uns trocadilhos com a palavra “pistol”, mas é lindo, num sentido mais amplo da palavra. E já é um rockstar. O álbum de estréia foi tido pela imprensa inglesa como um dos dez melhores dos últimos dez anos (tipo assim, desde os Strokes, rs), sua banda ganhou o adjetivo de “notável” do pegador Elton John, que adora flertar com mocinhos maus (cadê o Eminem, falando nisso?), e excursiona com gente de peso como U2 e Bob Dylan, além de ser citada como uma das favoritas de super cults como Chrissie Hynde, do Pretenders. Não precisa de mais nada, né? Ê, lá em casa!


Caleb è o maxima eu adoro ele.

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